Todos querem opinar

Por: Natalha Pedra

Os apetrechos tecnológicos e os avanços desse meio promovem constantes atualizações e um massivo acesso as redes.  Em meio a um oceano de informações das mais diversas particularidades, a humanidade vem se mostrando débil em qualidade do que se reproduz.  Mal se deflagra um acontecimento e podemos acompanhar quase que instantaneamente os pós e contras ao fato. Isso não deveria ser um problema, a internet é um espaço livre de comunicação. Contudo, prezar por qualidade e coerência acabariam por exigir uma padronização deste meio?

A quantidade de bloggers, youtubers e os mais diversos atuantes deste ciberespaço cresceram de forma assustadora. Hoje vive-se disso, e pasmem, é possível faturar milhões. Tal funcionalidade da conectividade aqui não está sendo questionada, mas o conteúdo que se é propagado. Segundo o escritor Umberto Eco a internet formou uma “legião de imbecis”, isto por que todos possuem opinião acerca de tudo e ao fim, em sua maioria, não possuem fundamentos aos quais sustentam suas expressões. Com isso, como um leitor comum, pouco instruído e que procura por informações deve considerar tal produto, se ela não o enrique ou o instrui de forma adequada? 

Os debates nas mídias sociais antes eram direcionados ao espaço das vivencias e interações com amigos e familiares. Compartilhavam fotos, promoviam encontros e trocavam experiências que por vias poderiam auxiliar ao outro. Atualmente, além do estratosférico banco de dados quanto à educação, qualquer pessoa que assim desejar, possui acesso a livros gratuitos e a vídeo aulas. O que deve ser demonstrado é que de forma adequada, à informação e acesso a instrumentos sócios cognitivos tão ai para serem utilizados por todos. Contudo, o que vem prevalecido são os hipertextos vazios de teoria e historicidade, enriquecidos com o egocentrismo de suas, poucas, experiências e incentivados pelo desejo único de ser alguém.

Sim, o termo “popularidade” tem levado muitos à prática do ridículo. Diz-se o que se quer dizer e este se torna verdade devido aos aspectos persuasivos aos quais estão institucionalizadas nas conhecidas redes sociais.  O desenvolvimento das ferramentas de comunicações e o crescimento vertiginoso da Internet e do uso de redes sociais vêm revolucionando os relacionamentos entre as pessoas e gerando sérias consequências das mais diversas ordens sociais. O fingir conhecer, e atuar de forma a certificar algo, impõem estes como senhores do saber.


A internet tem sido berçário de acontecimentos nada orgulhosos ou humanitários. Sua má aplicação por meio talvez, da ignorância e egocentrismo, promulgou o nascimento de práticas xenofóbicas e preconceituosas. O exercício da liberdade de expressão não deve ser usado como porta voz de práticas de produções incoerentes e infundadas, mas, como um auxiliador na construção da informação que busca instruir, esclarecer e fomentar o conhecimento geral de forma fluída e ética. 

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