Resumo critico da obra " Para quem escrevem os jornalistas?"
Feira de Santana – Bahia, 28 de
Setembro de 2015.
CORREIA,
Rita. Para quem escrevem os
jornalistas?.2008(9P).
RESENHA
CRÍTICA DA OBRA¹:
“Para
quem escrevem os jornalistas?”²
Por
Natalha Pedra ³.
1 INTRODUÇÃO
Rita
Correia, mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologias no ISCTEC, ao produzir
o artigo "Para quem escrevem os jornalistas?" (2008), teve como
objetivo esclarecer quem é o público destes. Através subtópicos, Rita especifica
o público do jornalista em mercado, além de explorar os possíveis públicos para
os quais os mesmos direcionam suas notícias: as audiências, os líderes de
opinião, outros jornalistas, os jornais, os patrões, o meio de comunicação, as
fontes, os potenciais anunciantes, a si próprios e aos cidadãos.
Através de uma análise do público alvo ao qual
o jornalista deve atender, Correia apresenta ao leitor as necessidades de
transformar a informação num bem de serviço, “Os leitores e espectadores
passaram a ser vistos como clientes e, conseqüentemente, as notícias passaram a
serviço ao cliente”4. Rita
fala sobre as funções de um jornalista, e aborda sobre a transmissão da
informação através de relatos verídicos e da interpretação dos fatos de maneira
correta.
_______________________________________________
[1]
Trabalho solicitado pelo professor mestre Rodrigo Carneiro, Docente
leciona a disciplina. Oficina de texto jornalístico I, ao curso de Comunicação
Social, com habilitação em jornalismo, Faculdade Anísio Teixeira.
² CORREIA,Rita.
Para quem escrevem os jornalistas?.2008 (9p)
3 PEDRA, Natalha Souza. Graduanda do curso de comunicação
social, com habilitação em jornalismo, pela Faculdade Anísio Teixeira- Feira de Santana. natalhapedra@outlook.com. 4
Trecho retirado da página 1, do
artigo “ Para quem escrevem os jornalistas?”, 2008. CORREIA, Rita.
Sob
diferentes perspectivas, Rita fala da credibilidade do jornalismo com o público
que percebe a troca de favores feita entre os anunciantes e a mídia
jornalística, fator crucial na publicação da noticia, abandonando as vertentes
morais e se distanciado do compromisso deontológico de informar de forma
imparcial e verídica.
2
RESUMO
O
artigo tem com objetivo provocar e desafiar a percepção de novas vertentes aos
leitores – principalmente discentes da área de comunicação - através da
retratação do mercado jornalístico, que por sua vez se mostra influenciado pela
necessidade econômica criada através da indústria cultural, trazendo para si a
responsabilidade financeira, e com isso a comunicação comercial. Devido á
abordagem quantitativa das audiências, leitores e espectadores passaram a ser
vistos como clientes.
Segundo
a autora, sendo a comunicação produto de consumo imediato pelo público, não
podendo deixar de descurar na elaboração da notícia o seu teor comercial, entrando
assim, no dilema da personalização da informação. Se as mídias têm como
objetivo atrair ao leitor através do tratamento personalizado aos seus gostos e
interesses pessoais, por outro lado, o mercado possui a necessidade de expandir
sua publicidade, ganhando cada vez mais consumidores. A criação de um público
homogêneo se da através da uniformização da audiência, submetendo-os a produtos
de igual teor, a fim persuadi-los a desejá-los.
Baseado
na formação de valores, capacidade crítica, autoridade e profissionalismo, o
jornalismo cria laços com o público, o atraindo. Com o ganho da audiência e de
leitores assíduos, abre-se espaço nessa mídia para a publicidade, fazendo da
cobertura de eventos à promoção dos patrocinadores de forma subjetiva.
De
toda forma, o jornalista deve saber que escreve para as audiências. Através de
pesquisas que tem como finalidade sondar o público, se tornando possível a
analise de que tipo de conteúdo se quer disseminar. Se o tem como finalidade, tratá-lo
de forma homogênea ou se deverão o personalizar a fim de restringi-lo a um
publico seleto, e com isso criar a exclusividade da comunicação comercial
jornalística. Assim, o publico não aponta alternativas, mas as legítimas,
obrigando as mídias reproduzi-las.
Através
de relações formadas entre formadores de opinião – famosos, críticos,
políticos, econômicos etc. – e jornalistas, se torna de grande importância para
alguns profissionais do mercado de comunicação, o reconhecimento vindo dos líderes
de opinião, além do grande publico, pois através destes, sua mensagem é vista
com maior importância na sociedade, moldado-a. Sendo decorrente nesse âmbito de
trocas de favores e interesses, a criação de notícias, a fim de se ter material
que facilmente se venda para o público.
Ainda
que inconsciente, o jornalista escreve também para seus colegas de trabalho e
suas chefias - pois são deles que vêm as orientações, elogios, sugestões e criticas
para as noticias -, o reconhecimento vindo destes confere credibilidade ao
jornalista, pois se reflete neste, a capacidade de destaque através da
identidade profissional que o embarca ao olfato jornalístico - o feeling que poucos atuantes da área
possuem e que apesar de não se encontrar no código deontológico, se conecta a
percepção semelhante da realidade. Partindo deste reconhecimento, o jornalista
pode utilizar deste, para uma eventual promoção ou transferência para outra
mídia, ascendendo assim a cargos de direção.
A súbita transformação do trabalho
jornalístico ao encargo de celebridades tem feito com que profissionais da área
concedam entrevistas a colegas de trabalho, ofertando a este status, criando uma visão encantada a
respeito do jornalismo. Surgindo desta
forma a competição entre os meios de comunicação de massa. Através da
divulgação de noticias prematuras – sem analise da veracidade – com a finalidade
de se obter um exclusivo.
O
jornalista exerce a profissão em um quadro empresarial, desta forma atua como
contratado, sendo submetido aos condicionamentos e motivações de seus patrões,
devendo zelar para que os objetivos patronais sejam conquistados. Se tornando
necessário o conhecimento de fontes, e uma grande quantidade de contatos
influentes, que se mantém através da negociação de interesses, e apesar de sua
voraz participação comunicativa em massa, não se conhece o público ao qual
direciona sua mensagem, desta forma, utiliza-se de sua opinião a cerca dos
fatos, isto devido a fraca interação com a opinião pública. “(...) O público
aparece como o autor ausente das interações do jornalismo” (Neveu, 2004: 103),
não existindo de fato uma democracia na industria da informação.
3 CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS
Ao
produzir o artigo “Para quem escrevem os jornalistas?”. Rita Correia amplia os
horizontes principalmente de estudantes da área de comunicação, mas aborda de
maneira arriscada a temática, já que sua obra pode tomar ares de generalização,
devido aos direcionamentos por ela feitos. Como por exemplo, os subtópicos:
Para as audiências, para os patrões, para as os cidadãos etc. Assim, Rita
restringe o modo como a informação é produzida.
Desta
forma, Correia especifica para quem é produzida a informação, indo de encontro
com profissionais da área, como Patrick B. Pexton5 que em seu artigo
Obsever, publicado no jornal Texas Obsever e no The New York Times, onde fala da influência vinda das fontes, e da
necessidade da imparcialidade vinda do escritor.
“Um
repórter justo e consciente, não pode se esquecer que escreve para os leitores
e não para as fontes. É claro que jornalistas devem ser justos com suas fontes
e precisos na verificação dos fatos, mas estão em um negócio no qual a verdade
está em jogo – e ela surge por meio de pesquisa, entrevistas, observação,
análise e do instinto obtido com a experiência. Além disso, a verdade deve
incluir – ou pelo menos deveria – o julgamento editorial. É por isto que os
leitores pagam pelo jornal”. 6
Sendo
um engano acreditar que em meio à explosão das diversas formas e meios de
comunicação, além do fácil acesso ao que acontece em tempo real ao redor do
mundo, o jornalista consiga atuar sobre o comportamento dos indivíduos de forma
invasiva, sem que ele perceba. O poder sedutor das palavras, dos códigos
sociais e da racionalidade institucionalista faz com que o público, consumidor
massivo da comunicação, esteja sujeito à revelia de sua vontade, a imposições
advindas de procedimentos estritamente processuais e operacionais. Tornando uma
falácia a afirmação de que a sociedade de consumo obriga as mídias a atuar de
forma publicitária e comercial.
A
realidade é importante demais para ser manipulada por mero interesse ou prazer.
Seguindo esta lógica, a notícia deve nascer pronta, o fato deve ser prioridade
sob a apuração, a opinião é uma ferramenta do mercado empresarial que vive em
parte do espetáculo e dos lucros que lhe rendem. A cultura acaba por ser
transvestidas como mercadoria, e a economia passa a se disfarçar de cultura.
Segundo
o colunista, Leandro Marshall7, “não é mais o jornalista quem
escreve a notícia, é a notícia que escreve o jornalista”, partindo do principio
de que o público não aponta alternativas aos produtores da informação, mas as impõem,
as mídias apenas reproduzem seus desejos, afinal é o consumidor que paga e
financia todo mercado comunicacional.
A
produção de Correia estereotipa os jornalistas em subclasses de publicação e
criação, não podendo ser a mesma, um retrato fiel da realidade profissional,
sendo equivocados os argumentos utilizados para sustentar tal. Cabendo ao
jornalista o relato dos fatos com rigor e exatidão, apresentando-os ao publico
de maneira verídica. Deve ser claro também, a distinção entre a noticia e a
opinião formada sobre ela. Não cabendo a responsabilidade do jornalista a inclusão
da informação como produto.
Assim,
a percepção da indústria da informação como um mercado basicamente direcionado
ao comercio e publicidade é uma equivocada forma de se retratar, a tenuidade
dos eventos jornalísticos e como os mesmos se equiparam exercendo funções
distintas.
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Rita Correia através de uma linguagem clara e
objetiva utiliza de uma metodologia de análise qualitativa para se aprofundar
na compreensão e disseminação da informação e como a mesma é vista e produzida
sobre diferentes públicos e finalidades. Podendo atuar como material de estudo
e analise reflexiva a alunos ingressos no ensino superior, da área de
comunicação, a fim de instigar aos discentes a conhecerem e encontrarem uma
área a qual os agrade profissionalmente, atendendo as suas expectativas.
5 Patrick B. Pexton, jornalista formando pela Johns Hopkins University – Paul H. Nitze Escola de Estudos internacionais avançados (SAIS), atual editor do The Frederik news post, Washington – DC, Estados Unidos.
6
Tradução do
artigo Obsever, publicado em
2012,pelo jornal Texas Obsever e pelo
The New York Times, produzido por
Patrick B. Pexton.
7
Leandro Marshall, Analista em Ciência e Tecnologia
no Ministério da Ciência e Tecnologia, além de escritor da área de comunicação
social.
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