Reflexão a respeito da autenticidade da cultura e o reconhecimento do Outro.
- Produzido academicamente voltado para o estudo da filosofia.
O mundo se encontra em constante
processo de globalização, advindo das novas tecnologias em comunicação. Isto
faz com que a informação se torne interligada com o mundo. Desta maneira, nos
chocamos diariamente com a cultura do outro – sendo esta local e global.
Exigi-se nesse processo o reconhecimento do outro, não como um ser inerte, mas
como objeto de mudanças socioculturais de sua região. Assim como somos o objeto
se mudarmos o ângulo de percepção.
Através do multiculturismo se torna
perceptível a fragmentação da cultura nos espaços físicos. Um país como o
Brasil possui características próprias e singulares de seu povo, mas isto de
forma generalizada e grupal. Mas, ao adentrarmos em cada região percebemos a
fragmentação desse grande gênero cultural, em miniculturas. Cada povo que aqui
vive possui costumem advindos de uma cultura que lhes foi transmitida por
gerações, e esta, influenciada por fatores regionais, geográficos, físicos e
até mesmo religiosos. Desta forma, podemos encontrar semelhanças entre espaços,
mas nunca encontraremos uma cultura igual à outra.
Possuímos a tendência etnocêntrica, que nos
cria a ilusão de que apenas a nossa cultura é a verdadeira e tomamos como lei
que a cultura do Outro por se diferir – muitas vezes de forma díspar – da nossa
é totalmente errada, digna de reprovação e preconceito. Elevamos nosso
conhecimento restrito em nosso espaço de vivencia a níveis de hierarquia e
acreditamos sermos melhores, através de um suposto caráter de universalidade. O
desconhecimento do “outro” reflete-se em casos de xenofobia – aversão a cultura
estrangeira/ pessoas estrangeiras – desencadeando guerras étnicas e
discriminação baseadas na cultura, raça, religião etc.
O
princípio da alteridade explica que todo homem social interage com o outro, e
assim afirma que só se pode ter a construção de conceitos pessoais definidos
quando entramos em contato com povos de diferentes sociedades, existindo assim
uma interdependência. Esta relação de sociabilidade e interferência se da
devido ao conhecimento preconcebido através de interações socioculturais entre
estes. O homem como atuante das modificações que faz no mundo, interpreta e
constrói conceitos sob sua concepção de realidade, adquirida através de
instrumentos fornecidos pela cultura. Entretanto a cultura apesar de
representar um grupo social é um objeto singular de cada região, podendo se
afirmar que a cultura é regional e local.
Torna-se necessário ampliar os horizontes
cognitivos, e transformar o olhar para qual se trata e analisa o desconhecido,
o transformando de ato exótico a uma consciência de alteridade, trazendo
reflexões a respeito das diferenças. A cultura do outro só poderá ser compreendida
de forma clara e imparcial, a partir do momento em que nos tornarmos, mas
flexíveis frente à existência da diferença, e a compreensão de que a diferença
não significa o erro, mas a possibilidade de expansão de valores étnicos e
culturais.
Só através do conhecimento da cultura alheia
é que podemos atuar e interferir nela, e reconhecer a nossa. Assim, o Outro deve
ser visto como uma fronteira possibilitadora da ampliação de conhecimentos,
forma de enriquecimento cognitivo e social. A experiência que permite o
distanciamento da nossa cultura a o mergulho na outra, nos possibilitando a análise
da nossa identidade como familiar e cotidiana, fortalecendo a identidade
pessoal e social de seus indivíduos e reconhecendo a autenticidade do Outro,
cujas opiniões e idéias devem ser respeitadas a fim de um debate saudável, como
de um processo mútuo de conhecimento.
- Natalha Pedra.
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