A falta d'água marcada pela literatura nacional

- Produzido academicamente em: 16 de Nov.2015

 O mundo começa a finalmente perceber – apesar de um preocupante atraso – a vital necessidade de preservação da água.  Desde os primórdios de vida em nosso planeta, a água é a mesma e em contra partida, os seres humanos - como organismos naturais - se encontram em constantes transformações. Desta forma, o homem tem se especializado em desperdiçar e tornar imprópria o nosso bem mais precioso. Entretanto, uma parcela ínfima - se comparada à grande conjuntura mundial – sofre com a ausência desse elemento desde o processo de interiorização populacional nos séculos XVI e XVII. Tal sofrimento é representado ao longo da produção literária nacional.
  Alguns espaços geográficos são grandemente fornecidos por diversos mananciais de recursos hídricos, o Brasil é um deles.  Retendo uma das maiores reservas de água doce do mundo e distribuída por caudalosos rios que compõe uma grande extensão de bacias hidrográficas ao longo de sua área, o país é uma personificação de sátira, ao acalantar uma vegetação desértica – a caatinga - encontrada apenas em nossa extensão geográfica, ocupando segundo o IBGE cerca de 10% do território nacional.
   A historia brasileira é transformada em ficção ao retratar as mazelas do povo sertanejo – que vive e sofre pela ausência de tais recursos hídricos – passando por personagens como o caipira Jeca Tatu de Monteiro Lobato à Fabiano e sua cachorra Baleia de Graciliano Ramos, alguns dos personagens mais importantes da literatura nacional.
   Em 1938, o escritor alagoano Graciliano, denuncia em sua obra “Vidas Secas”, um dos principais problemas do nordeste brasileiro, a seca. Ao mostrar uma família retirante vivendo como miseráveis, o livro apresenta a desigualdade social de um povo que enfrenta os reflexos desse fenômeno, a fome, a exclusão perante todo um território – que parece não se importar – o desabrigo e preconceito.  “O sertanejo, antes de tudo é um forte” é a definição de Euclides da Cunha, ao adjetivar esse povo que convive com as dificuldades de seu meio. Ele relembra a necessidade de fornecer condições para tanto.
   Contudo, a falta d’água se tornou um problema perante a população nacional – digam-se órgãos responsáveis pela conjuntura de poderes voltados aos cidadãos – apenas quanto esta atingiu a região sul do país. O drama se estende nessa região com caráter de higiene, enquanto na região nordeste a natureza e o homem se misturam no campo, não se tratando apenas de lavar as roupas e tomar banho, mas de ser sua fonte de alimentação e lucro. O sertanejo sem a água é um sofredor. Um sulista sem água é um tristonho efêmero que desdenha da miséria de um incapaz.
  O flagelo do sertão entrelaça-se ao flagelo político. Vive-se com a “Indústria da seca” e não obstante essa realidade é o fato do nordeste ser detentor do maior volume de água represado em regiões semi-áridas do mundo. Cerca de 37 bilhões de metros cúbicos, estocados em cerca de 70 mil represas. A água existe, o que falta aos sofredores dessa região é uma política coerente que volte à distribuição desses volumes, para o atendimento de suas básicas necessidades, e não apenas o enfoque no centro comercial do país. É ignorado pelas políticas que o bem mais precioso não é o dinheiro, mas a valorização da vida.



- Natalha Pedra.

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